1# EDITORIAL 19.11.14

"OPOSIO INTERNA"
Carlos Jos Marques, diretor editorial 

O Pas vive dias de ofensiva petista contra  imagine s!  o prprio governo. Como um partido de oposio, que no , lanou crticas e queixas abertas  gesto da presidente reeleita Dilma Rousseff, atravs de alguns dos seus mais estrelados arautos. O ministro Gilberto Carvalho, por exemplo. Integrante do exclusivo bloco de assessores diretos do Planalto, ele veio a pblico dizer que o dilogo de Dilma com a sociedade foi falho, que ela avanou pouco nas demandas dos movimentos sociais e que lhe faltou a tarimba do antecessor Lula para manter as mesmas relaes com os principais atores na economia e na poltica. Nada mais que o senso comum. O problema  ter partido de quem partiu. O que poderia soar como mea-culpa de gesto, uma vez que Carvalho participou ativamente do primeiro mandato, foi interpretado como deslealdade. Muitos notaram ali um recado das hostes lulistas, insatisfeitas com o tratamento recebido. Recentemente, Dilma disse em entrevista no ser influenciada pela opinio do PT. Alegou ser presidente do Brasil e no de um partido. O descaso caiu mal entre os quadros da agremiao. Carvalho, com seu gesto, sinalizou ter tomado as dores. E no foi s ele. A titular da pasta da Cultura, Marta Suplicy, decidiu deixar o ministrio. Calculou milimetricamente o momento certo para entregar a carta de demisso  justamente quando a presidente se encontrava em viagem ao exterior para a reunio do G-20. E fez mais: numa artilharia pesada, disse se unir a todos os brasileiros rogando o resgate da credibilidade pelo governo. Fez meno direta  escolha de uma equipe econmica independente, experiente e comprovada, insinuando erros da anterior. O fogo amigo ardeu mais nesses dias que aquele alimentado em meio  guerra eleitoral com a oposio. Hoje alas contrrias ao estilo centralizador e hesitante da presidente ganham vozes dentro do prprio poder, e essas se manifestam claramente. No por menos, em meio aos episdios, foi articulado um movimento para que todos os ministros colocassem o cargo  disposio. Carvalho e Suplicy, agora desafetos, encabearam recentemente o movimento Volta Lula, que tentava trocar a chapa da situao na corrida presidencial. O bloco de rebeldes sempre temeu a falta de fora de Dilma para dar continuidade ao projeto de poder partidrio e receava at mesmo a sua derrota nas urnas. Ela venceu, mas ainda encontra resistncia por todos os lados. Para quebr-la, vai usar sua melhor moeda de troca: a escolha dos nomes a serem contemplados com cargos na administrao federal. Est aberta a barganha, no bom e velho fisiologismo, e levar mais quem garanta a sustentao de seu governo e de suas deliberaes pelos prximos quatro anos.

